terça-feira, 26 de dezembro de 2017

XIII - AÇORES

10/09/2017
As meus 3 fieis leitores esclareço que a demora em dar notícias dos Açores é porque há muito à ser pesquisado, ler, perguntar, ver, fotografar, etc. Mas prometo que brevemente estarei postando fotos e textos. 



12/09/2017 
Na foto mais abaixo, feliz da vida, chegando em Ponta Delgada, capital da Ilha de São Miguel, a maior das 9 ilhas do arquipélago dos Açores (231,90 km2), no meio do Oceano Atlântico, entre a América do Norte e a Europa.  
  




Além de Ponta Delgada, a capital, com 70 mil habitantes, a ilha de são Miguel possui mais 2 cidades, Ribeira Grande e Lagoa. 



Viajei com minha amiga Célia e depois de nos instalarmos no hotel saímos para jantar e dar uma volta pelo centro histórico, que nos encantou com seus sobrados coloniais, seu calçamento de pedra e suas calçadas desenhadas. 

 
 



Os principais pontos turísticos da Ilha são as lagoas de Furnas, do Fogo e Sete Cidades. Decidimos começar por Furnas. E, para tanto, pegamos um guia que nos levou de carro para a parte leste da ilha, passando primeiro por Ribeira Grande, a antiga capital. No caminho encontramos uma piscina à beira mar, junto a um antigo mosteiro, que hoje é um hotel e por uma praia de areias pretas, como são a maioria por aqui.






Nas fotos abaixo, a antiga capital da Ilha, Ribeira Grande com sua catedral toda em pedra vulcânica. Em 1522 houve um terremoto arrasou com metade da cidade e a capital foi transferida para Ponta Delgada.





      

A utilização da pedra vulcânica na ornamentação das fachadas é uma das  características da arquitetura local.



Uma das paixões dos micalenses, são as hortências, que estão presentes por toda parte.

Outra marca registrada são as vaquinhas e, por todo lado, tem figuras de vaquinhas - muito souvenier com vaquinhas, canecas com cara de vaquinha, etc. Isto porque, hoje a base da economia da Ilha são os laticínios que são exportados para o continente (Portugal) onde, 37% do leite consumido vem dos Açores. E o queijo local é realmente muito bom.



Chegamos a Lagoa de Furnas, uma das 3 lagoas da Ilha, que nada mais são do que crateras de antigos vulcões que foram extintos e hoje servem de leitos para belas lagoas.




Complexo vulcânico:
7 Cidades - última erupção em 1481
Fogo - última erupção em 1564 
Furnas - última erupção em 1630 
Dos Picos - última erupção em 1652
Da Povoação - considerado extinto
Nordeste - considerado extinto











 A erupção de 1563 e 64, na Lagoa do Fogo e Pico do Sapateiro, formou uma coluna de 18km de altura, projetando material vulcânico que cobrindo parte central e oriental da Ilha com depósito de de cinzas e pedra-pomes. As cinzas chegaram a Ilha Terceira. 

  


O calor do interior da terra, ocasiona as nascentes de águas termais e as fumarolas. Esta energia é também aproveitada perfurando-se as crosta terrestre de forma a atravessar o reservatório geotérmico que é conduzido a uma central onde o calor é transformado em energia elétrica. 

Estes e outros projetos são financiados pela União Européia.

 Fumarolas, como são chamadas estas emissões de gases sulfúricos (enxofre)

O prato típico da região, o Cozido (carne porco, gado e frango com legumes) é feito enterrando-se as panelas nas áreas das fumarolas e, após 7 horas, elas são retiradas e levadas para os restaurantes. 




Samuel, nosso atencioso e muito gentil guia, nos levou em um restaurante para experimentarmos o famoso cozido. Achamos que o queijo, servido de entrada, muito saboroso! 


Volta para Ponta Delgada. Abaixo, a vila de Furnas.






Nas fachadas das residência sempre tem, ou a figura do santo de devoção da família ou uma mensagem.

  



As fotos abaixo são de um profissional e foram "roubadas" em uma exposição de fotos da Ilha. Elas mostram a orla marinha, região das marinas, onde encontramos construções mais modernas.
E, abaixo, o "primo" Carlos expondo suas valiosa coleção de arte africana.

Os Açores são uma região autônoma de Portugal, com presidente e primeiro ministro próprio e possui IDH "muito elevado" e PIB Per Capita de 19.950 U$. O clima é temperado oceânico, com índice pluviométrico muito alto durante o verão e, no inverno com fortes ventos. A nebulosidade é uma constante.
Não há desemprego em São Miguel (2,95%, quase pleno emprego) e a mão de obra concentra-se nas área de serviços e no setor primário (agricultura e pecuária). Hoje sua economia depende também do turismo, principalmente de escandinavos, alemães e ingleses. 



13/09/2017
Hoje o dia amanheceu ensolarado, o que é raro por aqui, e decidimos, então, pegar um autocarro e ir à praia em São Roque, perto de Ponta Delgada. Como todas as praias daqui, é uma mistura de areia com rocha vulcânica e tem a vantagem de não grudar na pele.




As esculturas abaixo são de autoria de Minoru Niizuma e formam a palavra 
Açores em ideogramas japonês.



A tarde, havíamos combinado com o guia irmos à Lagoa de Sete Cidades e a do Fogo, passando antes pela Produção de Ananás Augusto Arruda.




 
Ao lado "titio e titia", já falecidos. Hoje são os herdeiros que cuidam da empresa. 
Penso que precisamos pesquisar mais nossas raízes - quem sabe não dá para reivindicar parte nesta herança?
Abaixo as estufas e o ananás já maduro. Ele não possui acidez alguma e são realmente muito saborosos.




Depois fomos para a Lagoa Sete Cidades, a mais bonita de todas. Na parte maior a água tem uma cor azulada e é chamada de Lagoa Azul, enquanto que a menor tem a cor esverdeada sendo chamada de Lagoa Verde.

               
    Chama-se Sete Cidades porque é formada por 7 crateras.



 Esta é a parte mais estreita da ilha, com somente 7km entre um lado e outro.
  


Depois de 7 Cidades voltamos em direção à Caldeira Velha porque a Célia queria banhar-se na cascata e nas piscinas de água quente, de cor laranja devido ao minério de ferro. 






Em seguida fomos a Lagoa do Fogo e encontramos forte serração no caminho.



                  Hora de voltar para casa também para nossos amigos caprinos.



Na volta o tempo voltou a abrir. É comum ficar nublado, chover e fazer sol no mesmo dia. Na foto abaixo a vila de Fajã de Baixo.



A noite saímos para jantar e descobrimos um restaurante muito bonito, com uma ótima comida e o mais, incrível, pertenceu a um brasileiro. Falo incrível porque aqui não há brasileiros, nem como turistas. 
O nome já diz tudo, chama-se "Singular" e segundo a Célia possuem o melhor bolo de feijão (argh!) da cidade. 
Admirava a decoração quando vi na parede um cartun que me pareceu ser do Nássara, da revista "O Cruzeiro" (sim, sou velhinha). Perguntei ao garçon sobre o proprietário e quando ele disse que era um brasileiro, desfez-se o mistério da origem do cartun.




  

1. BREVE HISTÓRIA DOS AÇORES
Conta a lenda que o arquipélago foi parte da mitológica Atlântida junto com as Bermudas, as Antilhas e a ilha de Fernando de Noronha.  
Dizem também que foi Gonçalo Velho Cabral que teria descoberto os Açores e criou o primeiro povoamento na ilha de Santa Maria, em 1432. E, que origem da população teria vindo do continente:  Estremadura (Leiria, Lisboa e Setúbal), Alentejo e Algarve. 

Não possuindo riquezas naturais a coroa portuguesa incentivou o plantio de milho, pois o continente era carente em cereais e logo a produção ultrapassou as necessidades, passando a exportar para outros países. Mas o trigo foi substituído pela produção de pastel, usado para fazer tinta, passando a ser sua maior fonte de rendimentos. E, posteriormente, a laranja que foi, depois, substituída pelo chá e o ananás. Hoje, a principal fonte de renda é a pecuária leiteira. 

No séc. XVI e XVII o arquipélago passou a exercer um importante papel em termos estratégicos para a navegação comercial, principalmente depois da descoberta da América por Cristovão Colombo. A Ilha Terceira era o local de escala para abastecimentos dos navios, entre outros, àqueles vindos das Índias Orientais, assumindo esta, a primazia entre todas as ilhas do arquipélago.
Com o crescimento econômico cria-se uma elite formada por grandes proprietários de terra, chamados de "morgados". A preocupação em manter o patrimônio familiar e impedir sua divisão, fez com que determinassem que os bens somente fossem transmitidos aos filhos mais velhos.
Na falta de meios econômicos os outros filhos ficavam impedidos a contrair matrimônio com alguém do mesmo nível social e acabavam procurando refúgio no sacerdócio ou se aventurando em terras distantes. Isto, e a situação de pobreza do restante da população, levou no séc. XVIII, a que muitos emigrassem para o Brasil.

Durante a 2a. Guerra Mundial Salazar opta uma política de "neutralidade colaborativa", mantendo relações comerciais com a Alemanha e, simultaneamente, com os Aliados. Faz a estes último a concessão dos Açores como base militar e, durante a guerra fria, a ilha de Santa Maria permaneceu uma base militar americana, estando hoje em fase de desativação. 
Em 25 de abril de 1974 os Açores encontra terreno político favorável para a concretização dos seus propósitos autonomistas e em 1976, pela nova Constituição, torna-se a Região Autônoma dos Açores.

                                2. EMIGRAÇÃO PARA O BRASIL
2.1. A condição sócio-econômica e também a ambição do ganho levaram a movimentos emigratórios, notadamente para Santa Catarina pois, interesses geo-estratégicos fizeram com que a Coroa portuguesa incentivassem a vinda de açorianos à ilha de Florianópolis. O brigadeiro Silva Paes, então governador da capitania de Santa Catarina, cuidou para que recebessem terras e ajuda financeira para seu estabelecimento e, entre 1748 e 53 chegaram ao Brasil 6000 açorianos, a maioria da ilha de São Jorge e Pico.

2.2. como o Brasil era a "jóia da coroa" e precisava ser defendida da cobiça da Espanha, França e Holanda, a coroa portuguesa, na segunda metade do séc. XVIII, recrutou soldados no Reino, enviando-os ao Brasil. 

Em 1766 - seguiram 200 recrutas da Ilha de São Miguel para o Rio de Janeiro.
Em 1774 - o arquipélago contribuiu com mais 600 recrutas.
Em 1776 - seguiram mais 890 - tendo a ilha de São Miguel contribuído com 445 recrutas.

O recrutamento era voluntário e remunerado e houve grande adesão, tanto pela  situação de miséria da população do arquipélago mas, também, como demonstra, o historiador Luiz Mendonça, pela situação dos segundos filhos da nobreza que viviam na parasitagem decorrente da lei dos Morgados.

2.3. Na literatura portuguesa existe a figura do "brasileiro", ou seja, do emigrante português que partiu para o Brasil e voltou anos mais tarde rico, o que não foi o caso do açoriano, que não sendo comerciante, mas agricultor, no máximo conseguia fazer um pé de meia. 
Porém, muitos eram iludidos pelos engajadores, principalmente aqueles que não tinham passaporte que, em conluio com os proprietários de barcos faziam o transporte clandestino destes, aproveitando-se para, em território brasileiro explorá-los (engajadores, barqueiros e fazendeiros). Razão pela qual se dizia que a emigração açoriana para o Brasil era um "tráfico de escravatura branca". Assim como, também, as mulheres eram exploradas e muitas enviadas para a prostituição, dependendo do seu "maior ou menor grau de beleza".
A saída de açorianos para o Brasil e, mais tarde, no séc. XIX, para o Canadá e USA é hoje conhecida como a Diáspora Açoriana.   

3. PESQUISA SOBRE AS ORIGEM DA FAMÍLIA
Em São Miguel fui à biblioteca pública e ao Registro Civil em busca de informações sobre a emigração para o Brasil. Tivesse mais dados sobre o meu tataravô - que, ao que tudo indica, teria saído dos Açores e da ilha de São Miguel (visto que todo mundo aqui parece ter Arruda no nome!) poderia ter aprofundado mais a pesquisa sobre as origens da família.
Mas, não sabendo ao certo se viria aos Açores, não trouxe nenhum documento que pudesse me ajudar na pesquisa, detendo-me, então, à buscar informações sobre a emigração para o Brasil e a fazer alguns contatos. 
Mas, voltarei com uma lista enorme de livros para ler e, para minha sorte, ainda encontrei na biblioteca, um arquiteto que fez a tese de mestrado sobre "Emigração Açoriana e sua Influência na Arquitetura Brasileira" com quem também poderei manter contato. Por coincidência, seu pai é Arruda e ele também tem Sousa no nome!







XIV - ÉVORA

20/09/2017
Levei uma hora e meia de trem de Lisboa até Évora, a capital do Alentejo, uma graciosa cidade de pouco mais de 50 mil habitantes mas, nem tão fantástica como me foi descrita. Ou, talvez, eu já esteja ficando cansada e tudo comece a ficar parecendo "mais do mesmo". 
Mas é Patrimônio da Humanidade e, como disse, graciosa e também bastante agradável. Era a cidade preferida dos reis de Portugal e onde nasceu Gil Vicente, o famoso dramaturgo português. Hoje é sede da Universidade de Évora, fundada por jesuítas antes serem expulsos para o Brasil pelo Marques de Pombal.

Na foto abaixo a Praça do Giraldo, que teve seu nome em homenagem à Geraldo Sem Pavor, herói que libertou a cidade dos muçulmanos mas também um tremendo "carniceiro". É representado com uma espada levantada junto com as cabeças do vigia da cidade e de sua filha que ele decepou, impiedosamente.   
A igreja de S. Francisco, que aparece ao fundo da foto e esta recoberta por tapume é também obra de, entre outros, do arquiteto Francisco de Arruda*. Nela encontra-se a famosa Capela do Ossos onde há uma parede coberta por ossos e caveiras de 5 mil pessoas.


Também, bastante interessante é o Palácio da Inquisição, sede do tribunal da Inquisição de 1655 até 1821. No teto de carvalho da Sala do Tribunal há um escudo da Inquisição que tem no centro uma cruz ladeada por uma oliveira e um punhal. Tempos macabros estes!! 










  

Abaixo fotos da bela Catedral gótica-românica, que começou a ser construída em 1280, um dos maiores monumentos de arquitetura religiosa de Portugal.

 
    
 
 

Abaixo, à direita, o que deveria ser o Templo Romano, também conhecido como Templo de Diana, fechado com tapumes para restauração. À esquerda cópia de uma imagem do Templo. Foi bastante frustrante não vê-lo ao natural, tive que me contentar com a foto.    





Vista panorâmica da cidade do jardim em frente ao Templo Romano.


  Abaixo alunos da Universidade de Évora com sua capas pretas.


 E, abaixo a pequena mas muito simpática estação de trem de Évora.



(*) família de arquitetos portugueses que participaram na formação do estilo manuelino **. Entre seus membros, destaque para os irmãos Diogo e Francisco Arruda, autor também da Torre de Belém e de seu filho Miguel.   

(**) Estilos:                    ROMÂNICO........... séc. X    -  XII
                                      MUDÉJAR ............ séc. XIII -  XV
                                      GÓTICO............... séc. XIII -  XVI
                                      MANUELINO..........séc. XV  -  XVI
                                      RENASCENTISTA... séc. XV  -  XVIII
                                      MANEIRISTA..........séc. XVI  - XVII
                                      BARROCO.............séc. XVII - XVIII





XV - LISBOA

22/09/2017
Já em clima de despedida (volto semana que vem ao Brasil) ando por Lisboa  observando as pessoas, seu jeito, seu sotaque - hoje mais fácil de entender do que nos primeiros dias.
Observo que a vida mudou por aqui desde minha última estada na cidade, que não tem mais tantos turistas - não há mais tantos franceses, tenho visto mais russos e alemães. Mas chegaram os estudantes, invadindo as ruas com suas roupas tradicionais, comemorando o novo ano letivo.
Aqui, diferentemente dos nossos universitários, existe um orgulho, bastante visível quando exibem suas roupas tradicionais e percebe-se também o quanto são festejados pelas ruas. 
  

  

23/09/2017
Fecho esta ultima etapa da viagem passando o dia no Museu Calouste Guldekian, o meu sítio preferido em Lisboa. 
O Museu, que fica próximo ao El Corte Inglés, compreende vários edifícios: o de Arte Moderna, o da Coleção do Fundador, uma cafeteria e um anfiteatro ao ar livre, dispostos dentro de uma belíssimo jardim, que nos finais de semana fica lotado de gente passeando ou mesmo, deitada na grama. 

Calouste Gulbekian foi um milionário armênio que colecionava obras de arte e chegou a reunir 6 mil peças de arte antiga e moderna. Possui desde peças do Egito antigo, greco-romanas, arte islâmicas, chinesa e japonesa. Também arte europeia com peças de decoração como móveis e tapetes. Além de joias e vidros Lalique, obras de pintores como Rubens, Rembrant, Fragonard, Turner, Corot, Manet, Degas, Monet, Renoir e Rousseau. Assim como, esculturas de Rodin, etc. 

Suas paredes envidraçadas fazem um diálogo constante com a natureza e, não por acaso, seu projeto arquitetônico recebeu diversos prêmios e o museu foi considerado Monumento Nacional.
Sinceramente não conheço lugar melhor em Lisboa para se passar um dia verdadeiramente agradável do que este, nem melhor despedida da cidade. 

  

A peça acima é uma barca solar de Djedhor, antiga Mesopotânea, do séc. 380-343 a.C. muito giro.
    













 



26/09/2017
Amanhã estarei retornando ao Brasil, depois de 4 meses na Europa (península ibérica, Açores e Malta). Ao todo, foram 16 cidades visitadas, numa média de 7 dias em cada uma. 

Foram, também, 120 dias de muitas experiências vividas intensamente e muito aprendizado pois o importante na vida é poder vive-la plenamente e quando morrer poder dizer com Neruda, "Confesso que Vivi".      

Tentei, na medida do possível e dentro das minhas limitações, descrever no espaço deste blog, tudo que vi e aprendi na tentativa de deixar seu registro para, ao final da vida poder ver que realizei aquele que foi o meu grande sonho: conhecer um pouco do mundo e, na medida do possível, ser uma globetrotter.

Aproveito para agradecer a meus poucos mas fiéis leitores, especialmente, a minha tia Maria de Fátima que diariamente postava um comentário. A meus primos Flávio e Leni, minha amiga Nilce e minha mãe que me seguiam pelo blog. Para dizer também que foram todos uns heróis por me acompanharem durante estes longos dias e não sei quantas mal rabiscadas linhas (tendo, ainda, de conviver com muitas incorreções visto que, escrevendo diariamente, raramente pude revisar os textos).

Novamente o meu muito muito obrigado a todos que partilharam comigo desta experiência fantástica que é viajar, conhecer lugares novos, museus, jardins, palácios, paisagens naturais e humanas as mais diversas, bem como suas ricas histórias.


                                                    Não vês que somos viajantes?
                                                    E tu me perguntas:
                                                    Que é viajar?
                                                    Eu respondo com uma palavra: é avançar!
                                                    Experimentais isto em ti
                                                    Que nunca te satisfaças com aquilo que és
                                                    Para que sejas um dia aquilo que ainda não és.
                                                    Avança sempre! Não fiques parado no caminho.


                                                                                                                         
Santo Agostinho

XVI - ALGUMAS DICAS PARA MARINHEIROS DE PRIMEIRA VIAGEM À LISBOA

"Viajar é trocar a roupa da alma". 
Mario Quintana
'Viajar é como voltar à infância, quando
         há primeiras vezes para se viver" (tradução livre) 
                                                                  Jacques Prévert                                              

Um dia encontrei um casal de brasileiros na estação Chamartím, em Madri que estavam vindo à Lisboa pela primeira vez e me pediram algumas informações. Tive, então, a ideia de escrever estas dicas para os amigos e parentes que vierem a cidade pela primeira vez e não queiram gastar muito. Segue então,abaixo, algumas sugestões:



1. HOTEIS (com preços entre 60 e 120 euros)
     - BAIXA (eu, particularmente, prefiro a Baixa)
       Lisbon Arsenal Suites - próximo à Praça do Comércio
     My Story Hotels - na Praça do Rossio. (já me hospedei)
   
     - PARQUE EDUARDO VII E AVENIDA DA LIBERDADE
     Hotel Avenida Park - ao lado do Parque Eduardo VII (já me hospedei)
     Hotel Dom Sancho I - na avenida da Liberdade. 

 
2  BARES & RESTAURANTES (preços entre 10 a 20 euros)
     RESTAURANTES
     Mercado da ribeira - Cais do Sodré. Recomendo o Arroz cremoso de Pato 
     da Chef Marlene Vieira.  
       Prego da Peixaria - Mercado da Ribeiro, rua da Escola Politécnica, etc.
     Restaurante 1o de Maio - Bairro Alto, rua da Atalaia 8
     Confeitaria Nacional - Praça da Figueira. (somente buffet)
     Mantegueria União - onde os pastéis de Belém são melhores que os de           Belém.
      NOTA: A maioria dos museus possuem restaurantes com buffet e alguns também à la   
        carte, como o Gulbenkian e o Museu Nacional de Arte Antiga. No restaurante do Gulbenkian recomendo o "Bacalhau à                Brás"
 

     BARES

      The Insólito - Mirador de São Sebastião, Bairro Alto
     Palácio Chiado - Chiado
     Hot Clube - Praça da Alegria. Clube de jazz tradicional.



3. TRANSPORTE
    MÉTRO é sempre mais prático e rápido porém algumas estações não tem            escada rolante nem elevador.
      AUTOCAR (onibus) é também um excelentes meio de transporte. São                confortáveis, não exige andar por corredores nem subir escadas sem fim
      e levam a todos os lugares da cidade, somente não com com a mesma              rapidez do metro. Entre no site www.carris.pt e encontrará os trajeto
      de todos os autocars.
      ELÉTRICOS (bondinhos) os que saem da Praça Camões, no Chiado vão              Alfama e os que saem da Praça do Comércio vão para Belém.
    NOTA: compre uma tarjeta nas estações de metro, elas podem ser usadas em metros,                   autocar, elétricos e comboios (trem). 10 euros dará para uma semana mais ou menos.   
     
      

4MUSEUS IMPERDÍVEIS
    Gulbenkian
      Museu do Azulejo
      Palácio da Ajuda

5. PASSEIOS RECOMENDADOS
    Sintra
      Cascais 






sexta-feira, 8 de setembro de 2017

EX-ALTO-EXECUTIVO DA ODEBRECHT VIRA MOTORISTA DA UBER EM PORTUGAL

08/09/2017
Na volta de Malta ficaria uma semana descansando em Oeiras e fui até lá fazer uma reserva em uma guesthouse. 
Acertei com o dono de um chalé bem simpático, próximo ao centro histórico e da praia de Carcavelos, que me disse que havia um brasileiro que estava hospedado lá desde o início do ano.
Muito falante já foi contando o que o cara fazia e porque estava morando em Portugal, etc., etc. Fiquei então sabendo que ele era mais uma vítima da Lava Jato, que como um primo meu, ficou desempregado quando o dono da Odebrecht foi preso e estava trabalhando como motorista da UBER.


Na volta de malta liguei para avisar que estava chegando e o proprietário da guest disse que mandaria o brasileiro me pegar. Fiquei, assim, conhecendo o engenheiro desempregado pela Lava Jato.
Contou-me que antes, quando trabalhava para a Odebrecht só se hospedava em hotéis 5 estrelas, frequentava os melhores restaurantes e era convidado para as melhores festas e hoje está sem dinheiro, sem mulher (que pediu o divórcio), sem lenço e documentos.
Contou também que os bens foram bloqueados e ele está sendo investigado pela PF mas, como ainda não foi citado, não pode ser considerado um fugitivo e vive legalmente aqui.

Vendo-o carregando minhas malas não pude deixar de pensar o quanto o mundo dá voltas: minhas malas estavam sendo carregadas por um ex-alto-executivo da Odebrecht - e não eram malas de dinheiro!

domingo, 3 de setembro de 2017

O VIRA

   03/09/2017
   Domingo é dia de feirinha na praça, com barracas de comida e danças  
   folclóricas em Paços d'Arcos. Nas fotos abaixo o Vira. Parece que cantam           desafinado mas acho que é assim mesmo, horrível. Célia brincou dizendo que     descobria de onde vem sua desafinação. Diria o mesmo já que também tenho     origem portuguesa.