terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

JÁ É CARNAVAL

25/03/20
Embora tenha sido  previsto chuva para esta terça S Pedro ajudou pude finalmente, depois de comprar a camiseta, me juntar ao pessoal da Banda de Ipanema, fechando assim meu carnaval com chave de outro.   


A Banda de Ipanema continua a melhor banda, a mais tradicional e uma das poucas que ainda  tocam marchinhas de carnaval.  
Só os foliões mudaram um pouco, embora a grande maioria ainda seja de moradores de Ipanema e Leblon, já há muitos turistas que só estão ali para tirar selfie ou para serem fotografados, como alguns muito narcisistas que vão com fantasias que nada tem a ver com o espírito da banda. 



22/03/2020
Depois de muito pesquisar, escolhemos o restaurante Aconchego Carioca no Leblon, da premiada chef Kátia Barbosa, que tem uma estrela Michelin, para degustarmos uma feijoada que, como não podia deixar de ser, estava maravilhosa.
O desejo de depois acompanhar a Banda de Ipanema foi frustrado pela chuva que vem caindo desde quinta.
Abaixo fotos que mostram a irreverência dos foliões que vão para as ruas e dos blocos que desfilam no Sambódromo, que este ano teve um dos desfiles mais politizados. A foto maior é da São Clemente que teve o humorista Marcelo Adnet que desfilou vestido de Bozo, um dos apelidos do presidente Bolsonaro. 












21/02/2020
Hoje fomos à Santa Tereza ver o Bloco da Carmelitas. Como não havia bondinho para o bairro tivemos que pegar um táxi, que acabou nos deixando na subido do morro porque o trânsito estava parado e não andava porque as ruas estavam tomadas pelos foliões. Tivermos que desembarcar e terminar a subida à pé.  


Na foto acima Célia com meu novo amigo, um dos fundadores dos Carmelitas, que me convidou para uma festa só para o bloco, no dia 29 próximo, no Mirante do Rato Molhado em Santa Tereza. 
A volta foi traumática porque tivemos que descer a à pé o morro de Santa Tereza. Seguimos em direção à Lapa e, encharcadas pela chuva torrencial que caiu no caminho, tentamos pegar um UBER mas com chuva e final de uma tarde de carnaval, é impossível e voltamos para casa de ônibus. 

20/02/2020
A foto abaixo o Beco do Rato, na Lapa, um dos bares da boemia carioca mais pitorescos da cidade em clima de carnaval.  



                                Depois fomos para o rooftop do Hotel Silene, que fica ao lado da Sala Cecília Meireles, onde havia um baile de gafieira.
Fomos também, eu e Célia, andar um pouco pela Lapa. 
Célia, uma amiga de São Paulo, chegou na quarta e veio para o aniversário de uma amiga que mora em Estocolmo, é de Belém do Pará e passa as féria no Rio.



Fevereiro de 2020
Nunca fui ao carnaval de Salvador ou de Recife assim, acho que o do Rio é o melhor do mundo. Mesmo faltando mais de 10 dias para o início oficial já começam os desfiles dos mais de 500 blocos. Os blocos mais legais são os da "Banda de Ipanema", o do "Bola Preta", o "Carmelitas", de Santa Tereza, o "Pauta que o Pariu" e o "Simpatia é Quase Amor". Este último é o das fotos abaixo. 


                                                                                                                                                           
                                                              Mesmo as pessoas que só vão assistir, vão fantasiadas e isto é muito legal.  Ninguém sai sem ao menos um glitter no rosto ou um adereço na cabeça. Os homens também saem fantasiados, muitos com saia de bailarina.


A organização dos desfiles foi algo que me surpreendeu. Mal os blocos acabavam de passar e logo atrás vinha o pessoal da prefeitura fazendo a limpeza. Também a segurança é grande, com muitos policias pelas ruas.
                                                                                                                                    

domingo, 12 de janeiro de 2020

RIO 50 GRAUS

30 de janeiro de 2020
Me preparava para viajar ao RJ quando vi na TV que a temperatura na cidade estava em torno de 45 com sensação térmica de 53 graus. Ficarei no apartamento do meu amigo Carlinhos, que não tem ar-condicionado, lembrei, wow!!!
Cheguei aqui dia 15 de janeiro e desde então tem chovido bastante e mesmo nos dias mais quentes tenho dormido bem, bastando deixar as janelas abertas para manter o apartamento bem fresquinho.
O problema tem sido habituar-me a morar em um espaço tão pequeno (o apê tem em torno de 40m2) e em um bairro com tantos moradores de rua .  

O Rio todo esta virando uma Venezuela, tomado pela pobreza e controlado pela milicia. A milicia está também em todos os escalões do governo, na Assembléia municipal, no governo estadual e também no federal. Aqui ninguém ignora a relação da família Bolsonaro com a milícia, nem mesmo quem mandou matar Marielle. 
  
Quero, no entanto, deixar claro, que nunca vi nenhuma cena de violência nem mesmo um assalto ou roubo. O que ocorre também, mas é muito mais nas favelas, no asfalto o que existe é sim MUITA  MUITA POBREZA, muitos moradores de rua. 
Sei que tem violência em Copacabana mas eu não entro no bairro, não saio daqui deste pedacinho, próximo ao Arpoador. Faço tudo, compras, cinema, etc, em Ipanema e no Leblon, onde quase não há moradores de rua e nenhuma violência.   
A foto logo abaixo é do MAM e foi publicada no jornal O Globo. As demais são de Copacabana e a ultima é do prédio ao lado do apartamento do Carlinhos.  



Algumas pessoas oferecem ajuda, não resolvem o problema, mas ajuda-os a sobreviver. Já vi removerem alguns deles daqui da rua e voltarem no dia seguinte. Creio que nos abrigos são obrigados a tomar banho e a cumprir horários e não se submetem porque a maioria é de usuários de drogas.   
 .


Estou há 15 dias procurando apartamento para alugar sem muito sucesso....A dificuldade é imensa, há pouca oferta e o que tem é muito mal conservado ou os preços são muito altos.
O valor de uma apê padrão médio, na zona sul está em torno de 4 mil reais, o que dá 851,39 euros no cambio de hoje, o que daria para pagar um aluguel, senão em Lisboa, mas em Oeiras, que fica ao lado. 
Paga-se aluguel de primeiro mundo e mora-se no 3o mundo.

À dificuldade em encontrar apartamento para morar, somando a quantidade de gente dormindo nas calçadas, ao barulho das ruas, a musica alta em tudo quanto é lugar, aos ônibus que são uma verdadeiras carroças e a falta de conforto em geral, esta me levando a quase desistir de morar no Rio. 
Creio que perderia em muito a qualidade da vida que tenho lá no sul. 
Talvez, se não estivesse em idade tão provecta, não estaria tão preocupada com estes detalhes, estaria, com certeza, só pensando nas vida cultural intensa que existe aqui no RJ, nas mais de 10 salas de cinema de arte, na grande quantidade de teatros só aqui na zona sul. 
Na possibilidade de um cursos de cinema documentário na FGV, na ABL com suas palestras todas as quintas, onde encontro acadêmicos como Nelida Piñon, Cacá Diegues, o maravilhoso poeta Geraldo Carneiro, p.ex.
Há também os Clubes de jazz, etc, etc. Ou seja, usando uma frase de Tom Jobim sobre NY, morar no Rio é muito bom mas é também uma merda.  

Estou me sentindo como o índio que tomou um primeiro contato com os brancos e não  tem imunidade. Tendo, nos últimos anos desenvolvido uma intolerância ao vento e à chuva e por duas vezes surpreendida com a chamada chuva de verão nos finais de tarde, quando não é fácil conseguir um táxi, voltei molhada para casa e acabei resfriada. 
Quando você só anda de carro, como é meu caso no sul, não está tão exposta as intempéries e fica sem muita resistência a elas.   

Durante o dia tem feito muito calor minha pressão tem baixado bastante (já é baixa, 9 x 6) e, no sábado resolvi então tomar um banho frio, na tentativa de me livrar do mal estar e ir ao teatro assistir Henrique III no Poeirinha. 
O ator era ótimo e sozinho, segurou a peça toda, o que não é fácil pois são 48 personagens com tem uma história muito intrincada, marcando o final da idade média.
Estava adorando a peça mas minha cabeça pesava e sentia minha testa ardendo mas fui aguentando firme porque estava na primeira fila e não podia ir embora. Quando terminou peguei um UBER para voltar para casa e tremia de frio, devia estar com febre. Donde concluo que não estou imune a este clima, nem a esse caos e a esta cidade barulhenta. Acredito que o stress colaborou para que adoecesse.  

Já medicada e recuperada fui conhecer o Instituto Moreira Salles, que fica no alto da Gávea, rodeado por uma natureza exuberante além de um belo exemplos da melhor arquitetura brasileira e do paisagismo de Burle Marx. 





Depois do Ceviche e do sorvete de tapioca do quiosque La Carioca no posto 11 o que mais amei nestes últimos dias foi a peça "François Truffaut - O cinema é minha vida" no Net Botafogo e o filme "Jojo Habbit". 
Hoje, se não chover muito irei novamente ao Net Botafogo assistir "Uma Mulher Alta".

Desde que cheguei tem chovido com muita frequência, tornando tudo aqui mais desanimador e já começo a mudar de planos, pensando em viajar em abril para a Europa, talvez para o Egito.  

sábado, 14 de dezembro de 2019

SANTIAGO DO CHILE

Havia planejado ir para a Africa com a agência Rotas do Vento, de Portugal. A mesma que fui para o Marrocos e Indochina. Começaria pela Africa do Sul, depois Botswana, Zambia, Zimbabwe, Malawi e Moçambique.  Porém, tive que desistir porque Moçambique e Zimbabwe passou por um ciclone que destruiu a maior partes destes países e deixou um surto de malária e tifo e ataques guerrilheiros.  
Achei muito arriscado e resolvi procurar um lugar para ir, aqui mesmo na America do Sul. Acabei escolhendo o Chile mesmo sabendo que estava havendo manifestações de rua contra o governo. Mas acreditei que não durariam muito, afinal a viagem seria só dali há 2 meses. O que acabou não acontecendo e as manifestações foram ficando mais violentas. 

Penso que me livrei de uma malária mas corro o risco de voltar com um tapa olho (as forças de segurança no Chile já deixaram mais de 200 pessoas cegas pelo uso de balas de borracha).
Meu primo Beto enviou-me o endereço de um blog onde alguns brasileiros que estão no país ou que planejam viajar para lá trocam informações. Entrei em contato na esperança de que me ajudassem a decidir se cancelaria ou não a viagem e tem sido muito interessante. 
Chama-se VIAJE NA VIAGEM, viajenaviagem.com. Também venho acompanhando diariamente as notícias pelo jornal "El País" do Chile.
Na verdade tentei cancelar a viagem mas a empresa não aceitou estornar o valor pago pela passagem e estou tendo que encarar a aventura.
Abaixo estão copia da troca de mensagens com o pessoal do blog.



27 de dezembro de 2019

Cheguei dia 27 à Santiago do Chile e fiz o translado para o aeroporto com um casal bastante jovem de Londrina, PR que havia contratado uma Van da empresa Vem me Buscar. Eles ficaram em um hotel próximo à Praça Itália, para onde se dirigiam alguns manifestantes. Ao ver que seu hotel estava com a faxada pichada, Fábio virou-se para sua companheiro e comentou: "dá para desistir" e senti pena deles. Pensei também como foi bom ser bastante atenta a localização do hotel. 
Meu hotel ficava em Las Condes, um bairro nobre bastante tranquilo. Ficava também perto do shopping Costanera, o que foi ótimo porque precisei resolver um problema com o celular e havia uma loja da Claro, uma das operadora do país.
No dia seguinte fui ao centro e pude observar que estava muito pichado, com tapumes na fachada das lojas e também com blindados do exército nas ruas. 
Daqui à 3 dias será réveillon e já estou sabendo que as comemorações serão somente em ambientes fechados e fogos de artifícios serão proibidos porque são usados pelos manifestantes contra a polícia. 

Nas fotos abaixo esta o mercado municipal que tem projeto estrutural do engenheiro francês Gustave Eiffel. Embora tenha uma bonita arquitetura, o fedor de peixe é muito forte.


Abaixo fotos do bonito bairro Paris-Londres antes das pichações e depredações causadas pelos manifestantes. 



E, abaixo, fotos da Cordilheira dos Andes, vista da cobertura do Hotel El Bosque Ebro, em Las Condes, onde me hospedei. Embora seja um 5 estrelas não fazia jus a classificação porque o café da manhã era muito pobre - além de que a cozinha no Chile é muito sem tempero - as toalhas nunca viram um amaciante na vida. 

Além das vias e calçadas serem largas e muito arborizadas, eles tem uma bela arquitetura moderna, com muito uso de vidro e também tijolo a vista, tudo com muita harmonia e homogeneidade nas suas linhas.

 



Conheci um grupo de paulistas, 2 engenheiros, um médico, uma pedagoga, uma psiquiatra e outra que não sei a profissão, que me convidaram para fazer um passeio pelas vinícolas. Acabamos indo também a Valparaíso e Vina Del Mar. 
Valparaíso por ser um porto, era uma cidade muito feia e Vina mais bonitinha porém nada de especial. 
Meus companheiros de passeio eram 3 casais muito muito simpáticos, como dá para ver nas fotos abaixo.   



Fomos a duas vinícolas, todas muito bonitas, com belos jardins e bons restaurantes. Ns  Casa El Bosque, das fotos abaixo, foi onde ainda comi melhor no Chile. Pedi um bacalhau que estava bastante razoável. 






A foto abaixo é de outro restaurante da Casa El Bosque, que estava fechado, onde paramos para admirar a paisagem.