sábado, 13 de novembro de 2021

RETOUR À PARIS

02 de dezembro de 2021   

Faltava 15 dias para embarcar para Paris e, depois, para Israel quando recebi a notícia de uma nova variante do Covid-19 chegando à Europa e oriente médio, oriunda da Africa. Bem mais transmissível que as anteriores, poderia fazer com que impusessem a volta de medidas, como uso de máscaras nas ruas e o fechamento de restaurantes e museus.                

Com passagem comprada para Tel Aviv para o dia 15 de dezembro, vejo na TV a notícia que Israel fechará as fronteiras ate dia 12/12. Como tenho passaporte europeu acredito que não terei problema na França já, em um país do oriente médio, corro o risco de exigirem quarentena ou mesmo impedirem a entrada.                                  

PARIS - Depois de muitos anos sem ir a França embarquei dia 08 de dezembro para Paris temendo encontrar muitos imigrantes dormindo nas calçadas mas não encontrei nem mesmo qualquer sinal de crise econômica ou sanitária, causada pela pandemia. 


Apesar do frio de 6 graus e do céu estava cinza, a belíssima decoração de Natal nas fachadas e a  profusão de pinheirinhos nas calçadas, permitia a Paris manter o título de eterna cidade luz.




Quando cheguei só 50% dos franceses usavam mascara na rua, é obrigatória somente em lugares fechados mas, necessário apresentar Certificado de Vacina em bares e restaurantes. Nada que incomodasse ou que já naõ estivesse acostumada. Olhava com inveja a elgancia das parisienses na rua e pensava que somente sendo parisiense para continuar elegante com estas indefectiveis máscara. 


Começei a achar que o casaco que levei estava um pouco démodé e sai para comprar um mantô e um foulard, seguindo a ultima moda em Paris.  


Fiquei num hotel em Odeon, próximo ao Jd de Luxembourg, no Hotel Delavigne, um 3 estrelas simpático, com muitas livrarias e cafés no entorno.









12 de dezembro de 2021
Como não consegui ir para Israel porque continuava com as fronteiras fechadas, depois de dois dias em Paris, viajei para a Normandia e Strasbourg. E voltei dia 26 de dezembro, em Paris fazia menos frio (12o) e uma garoa constante. 
Andando pelo Boulevard Hausssmann entrei na Galeria La Fayette para fotografar a decoração de Natal a pedido da minha amiga Lea e estava lotada. Apesar da nova cêpa do Sars Covid-19, a Omicron aumentando, a vida em Paris continuava normal, com cafés e restarantes cheios - Paris sempre será uma festa. 



16 de dezembro de 2021 
Graças ao savoir faire parisiense nao tinha problema nos restaurantes e lugares fechados. A verificação do Certificado de Vacina era só protocolar. Não sei como seria nos museus porque não fui a nenhum. Cheguei a pensar em ir ao Pompidou, embora já conheça valeria ver de novo, mas a fila para entrar era imensa. 
Encontrei muitos brasileiros nas ruas e um dia, quando entrei num restaurante e percebi que numa mesa havia um grupo de brasileiros, me aproximei deles e fiquei sabendo que do grupo de umas seis pessoas, só um, o mais jovem, morava na Europa, os demais tinham vindo do Brasil. Devia ser filho do casal e a familia tinha ido em peso veio passar as festas com ele. 
Hoje, na classe media, na media alta, dificilmente não há um parente morando no exterior - estudando, fazendo pós ou mesmo, para trabalhar.
Apesar do patriotismo caipira que nos foi incutido durante a ditadura militar, que Bolsonaro tenta retornar, o brasileiro está mais viajado, mais culto. E sem cultura nao mudaremos o país e vamos ficar tendo que explicar “Como pode um sujeito deste na presidencia do Brasil?”

Os franceses estavam preocupados com a Ômicron e voltaram a exigir mascara na rua. Também concelaram os fogos no final do ano. Por isto passei o rèveillon no meu cabaré preferido em St Germain, o Au Trois Maillet. No Trois sao os fregueses que dão canja e nomes importantísssimos já passaram por lá. Ver foto abaixo. 



Nao havia feito reserva porque o governo ameaçava com um lockdown por causa do Ômicron.  Achei melhor nao arriscar. Dia 31 quando cheguei no Trois Mailletz estava lotado mas consegui ficar numa mesa na area externa onde convidei para sentar o pessoal habituée da casa - uma cantora cubana, uma coreografa brasileira, um pianista frances - uma turma divertidíssima. Foi superbe.





Assistia um programa na TV francesa onde cientistas sociais e autores de livros sobre populismo no mundo discutiam o caso da Russia, da Polonia, da Turquia, do Trump, Marine Le Pen e, claro, também de Bolsonaro, considerado por eles o paradigma do atraso e do reacionarismo. E como adoram discutir política estes franceses - fazem uma mesa redonda e debatem, acaloradament, por horas! 
Na TV, ouvi também, que o país tem 5mi de nao vacinados, número considerado alto. Mas, 5mi é menos que 10% da população da França, que é de quase 70mi de habitantes. Bem menos do que no Brasil que tem pouco mais de 20% sem vacina. E não havia uma única farmacia que nao tivesse fila na porta para fazer teste ou vacina ou nas tendas da saude publica.
Depois de 20 dias em Paris finalmente o astro rei se manifestou o que mereceu uma comemoração: ir para o jardim de Luxemburg. 


Como estava no Quartier Latin resolvi, depois, andar até a Place Maubert onde fiquei na primeira vez que vim a Paris. Morei num hostel onde o banheiro ficava no corredor. Eram fuleiro mesmo mas muito simpático e lembro com muita saudade. Nele conheci uma caribenha, muito descolada que me apresentou ao Aux Trois Mailletz. Dividi depois o quarto com uma paulista, esta bem certinha, com quem saia a noite para lanchar. Ela estava em Paris para conhecer os museus porque trabalhava na área.


Na proxima vez que fui a Paris fiquei no Mije, em Marais, mais chic mas nao tao simpatico, tinha uma certa austeridade que combinava com o prédio do séc. XVII, com uma bela fachada coberta de hera.
Meu pé nao melhorou porque nao tem como, nao dá para nao andar muito em Paris. Mesmo com frio e uma garoa persistente, é irresistível não se perder por suas ruas, não ficar flanando pelos becos de Cluny, parar para fotografar uma fachada. 
Entrei na fase em que começo a fotografar as pessoas na rua, placas nos prédios e calçadas que fazem referência à prisões de judeus ou indicam que ali viveu um escritor ou um compositor famoso.



Observem que o toldo dos cafés escondem aquecedores que permitem permanecer em ambiente externo mesmo no inverno.  E o europeu aprecia viver em espaços abertos, frequentar parques, ir nos domingos de sol ao Jd de Luxembourg para ler o jornal. Talvez porque o inverno não é muito rigoroso como os países mais ao norte. 
E é nos espaços públicos onde apredemos noções de cidadania e aprimoramos os valores democráticos, daí porque as cidades devem ser planejada para que as pessoas usem os espaços públicos. Enquanto o europeu vive na rua, a vida do brasileiro é voltada para a casa. Ideia que Sergio Buarque, desenvolve divinamente em “Raizes do Brasil”.

Hoje, dia 1o de janeiro, esta tudo fechado e resolvi ir a Bois de Boulogne conhecer a Fundação Louis Vuitton para conhecer a obra de Frank Gehry, de quem sou fã.
Foi muito dificil enquadrar a foto pois é um prédio totalmente fora do esquadro. A ultima foto, eu peguei do Google (provavelmente feita com um drone) é para que tenham uma ideia do conjunto.



O que mais gosto no arquiteto é que ele coloca suas obras em grandes espaços, com muito verde, nao ficam brigando com o entorno, caso do Centro Pompidou.







Voltando do Bois de Boulogne desci em St Paul na esperança de encontrar aberto um pequeno bistro perto do Mije, um dos raros lugares em Paris onde se podia comer um Coq Au Vin. Como o bistrô estava fechado sentei num cafe na Rue de Rivoli e resolvi comer por ali mesmo.

 
























Nas mesas fora estava mais quentinho e agradável do que dentro. Isto é…estava, até que a fumaça de um cigarro começou a vir em minha direção. Mudei de mesa mas ao lado também havia uma garota fumando. Irritada perguntei ao garcon: “est-ce permis?”. Sim, é permitido, respondeu - como fumam estes franceses pensei
Eram 4 garotas que, ouvindo a reclamação, resolveram todas acender um cigarro! Aha, entao é guerra, pensei e virei para o lado delas e fingi espirrar Atchim!! C'est une allergie  
Depois uma delas tirou uma bota e colocou o pé no colo da amiga à minha frente.
A verdade é com fumaça na cara ou não meu magret de canard estava uma delicia.              !!




Gostei de Odeon, onde estou mas vejo que Marais tem mais vida, é mais charmant. Fui dar uma volta pelo bairro até a Rue des Rosiers, onde morei durante um mês, num B&B. É a rua dos judeus ortodoxos. Foi quando aprendi a distinguir entre a judia que conheci no Mije, que usava calça camuflada  e tinha uma cabeça fantástica e estes caras que vestem preto, usam cachinhos e chapéu de copa alta- os Haredi.  Nas fotos abaixo uma fila em frente a loja de falafel, o que ocorria todos os domingos e apreciava da janela do B&B onde morei, que aparece na foto à direita. 



Para minha sorte o Brasil agora resolveu aceitar o teste de Antígeno com 24h antes do embarque. Caso contrário teria que fazer o RT-PCR dia 01 de janeiro e o recepcionista do hotel havia ligado para todos os laboratórios e todos estariam fechados. O resultado do Antígeno sai em 15mtos e pude fazer no mesmo dia do embarque.
Estou voltando amanhã . Apesar do frio e do pé doendo ja estava começando a me acostumar com a vida em Paris. Aqui é bom com frio…com gente fumando do teu lado…mancando. É bom de qquer jeito. 
       
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18 de dezembro de 2021        

HONFLEUR -  Honfleur é uma cidade de pouco mais de 6mil habitantes na costa da Normandia com uma marina bem no centro e uma arquitetura normanda do séc. XVI très charmant.

Pretendia ir também as praias com as falésias, as praias onde teve o desembarque das forças aliadas na 2a guerra, no famoso Dia D e o Monte St Michel e esperava encontrar uma agencia que fizesse passeios para estes lugares. Infelizmente não havia e acabei não indo. O ideal seria alugar um carro mas não me animei a dirigir.
                                                                                                                                                    Outro senão foi o hotel que era muito ruim, não quiz ficar num de rede e me arrependi, Deveria ter ficado num Ibis. Mas valeu conhecer Honfleur, que amei.
Alem de Baudelaire que, emboraOutro senão foi o hotel que era muito ruim, não quiz ficar num de rede e me arrependi. Deveria ter ficado num Ibis. Mas valeu conhecer Honfleur, que amei. tenha nascido em Paris passou duas longas temporadas em Honfleur enquanto sua mãe aqui viveu. Outro morador importante foi o compositor Erik Satie, precursor do movimento minimalista, amigo de Picasso e Cocteau cuja casa onde nasceu é hoje um museu.
Abaixo a igreja de St Catherine, totalmente em madeira.




Como não podeia faltar havia uma feira de Natal, com banda, vin chaud e castanhas portuguesas. 



                              Abaixo fotos do centro comercial e turístico. 

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22 de dezembro de 2021

STRASBOURG - Em 22 de dezembro fui para Strasbourg, na regiao da Alsácia, quase fronteira com a Alemanha. A cidade de perto de 280mil habitantes é também uma das sedes do Parlamento Europeu, as outras são Bruxelas e Luxembourg. Ao embarcar em Paris, carregando uma mala caí na escada que levava ao andar superior. No dia seguinte meu pé parecia um panetone, de tão inchado. Finalmente acertava na escolha do hotel: cama maravilhosa, quarto quentinho, a ducha não molha todo o banheiro e um café da manhã superbe. Deixo registrado o endereço do Hotel Ibis Strasbourg Centre Gare, que fica na rue du Marie Kuss. Fazia - 6 graus e paro em todas as barraquinhas de Natal para tomar um Vin Chaud para esquentar, creio que vou voltar alcoólatra. Gostaria que nevasse mas parece que vai chover dia 24 e 25. Aquela brincadeira de que compraria uma baguete, um foie gras e uma garrafa de vinho e assistiria a missa do galo na tv só não aconteceu porque descobri que haveria jantar de Natal na Maison Kammerzell. A Maison Kammerzell, o predio mais icônico da cidade, com uma fachada incrível, é hoje um restaurante e fica ao lado da catedral de Strasbourg, tem uma das fachadas mais bonita que já conheci. Possui no interior um relógio astronômico provocando fora uma enorme fila de turistas para conhece-lo pois devido a pandemina as visitas são limitadas.

Dia 24 fui comemorar o Natal na Maison Karmenell e comi um fillè com foie gras divine. 

No dia seguinte, apesar da garoa intermitente, fui visitar a regiao dos canais, onde fica o Square Moulins, o Louise-Weiss e as Ponts Couverts - com forte influencia germânica na arquitetura.


Segundo a Wikipedia, a Alsácia-Lorena foi um território de população germânica, tomado por Luís XIV da França depois da Paz de Vestfália em 1648, mas devolvido pela França à Alemanha recém-unificada, conforme o Tratado de Frankfurt (10 de maio de 1871), que encerrou a Guerra Franco-Prussiana, e em seguida retomado pela França após a Primeira Guerra Mundial, nos termos do Tratado de Versalhes, de 1919. Foi anexado pelo Terceiro Reich alemão em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, e retomado pela França em 1945.
Para decepção de uma amiga a cidade não me causou aquela epifania. Fora a catedral, a casa Kamenell e alguns prédios enxaimel a arquitetura monótona. Claro que se fosse primavera possívelmente a impressão seria outra. Mas a decoração de Natal é as vezes um tanto kitsch.
 




Vi muitas imigrantes e também alguns moradores de rua. Acredito que seja o motivo de um policiamento ostensivo - em cada quadra encontrava um grupo de 3 policiais com metralhadoras.  



Ontem, quando entrei no Museu Œuvre Notre Dame, me pediram o Certificado de Vacina - como sempre acontece - mas, pela primeira vez não aceitaram, a desculpa foi porque nao era europeu. Minha primeira reação: quanta arrogância destes franceses!
Mas, já vinha percebendo, desde minha chegada na França, que todos tinham dificuldade em fazer a leitura do QRCod. Em Paris bastava mostrar no documento as 3 vacinas - apontando para a Pfizer - para que respondessem “ce bien”.
Na Normandia comecei a sentir que vacilavam mas, acabava também em “ce bien”. E hoje quando entrei num pequeno bistro e perguntei se tinha vinho quente, um vin chaud, o dono me pediu o certificado e como nao conseguiu ler o QRCod, tive que dar meia volta.
Confesso que comecei a ficar intrigada com o que estava acontecendo e, chegando ao hotel passei a falar com todas as amigas que viajaram ou pretendem viajar para a Europa.
Conclusão: como o governo foi obrigado a aceitar a portaria exigindo Certificado de Vacina para entrar no país, resolveu sabotar o sistema ConectSus e desde o dia, 10 de dezembro o certificado está fora do ar. No QRCod só aparece a criptografia.
O que só vem a mostrar, mais uma vez, o quanto este governo é insano, desequilibrado e perverso. Amanhã embarco num trem para Paris e tenho que apresentar o Certificado.

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domingo, 18 de julho de 2021

NA TERRA DOS FARAÓS


EGITO 
Em setembro sigo para o Oriente Médio e a primeira coisa que faço antes de uma viagem é pesquisar, começando pela economia e a política do país que vou pela primeria vez, caso do Egito. 
Começei com o Pib Per Capita, bem menor que do Brasil - algo em torno de 3,3mil dolares no Egito, no Brasil 6,79. Antes de Bolsonaro nosso PPC era de 14mil dólares. 
A economia do  Egito é prioritariamente baseada no turismo (70%) porém, a presença do terrorismo e, recentemente, da pandemia provocada pelo Covid, vem provocando uma queda. Como é um dos poucos que hoje aceitam brasileiros há muitos brasileiros por lá.
O país todo tem em torno de 100mi de habitantes e a capital, Cairo, é quase o tamanho de uma SP, embora menos moderna, com seus mais de 1 mil anos de existência tem, por outro lado, um grande patrimônio histórico. Fora as pirâmmides, proximas à capital, a maioria, encontra-se às margens do NIlo.
Após a Primavera Árabe e a destituição de Hosni Mubarak e, posteriormente, a prisão de Mohamed Morsi, assumiu Abdul Fatah Khalil Al Sisi, um ditador linha dura que mantém o país sob rígido controle das leis islâmicas. Que, como a maioria dos países árabes, fazem da vida das mulheres uma tarefa bem difícil.
No livro Sobre Jasmins, bombas e faraós, a jornalista brasileira Carolina Montenegro, fala  agreções sofrida pelas mulheres durantes manifestações na Praça Tharir, em 2011 e, àquelas que ainda hoje arriscam-se a andar pelas ruas sem a companhia de um homem. 
Pensei até em me vestir de homem para poder flanar sozinha pelas ruas do centro histórico mas, achei que não vai dar muito certo mas achei que era melhor andar com uma guia.  
Baixei no meu iPhone também o livro O Egito do Eça de Queirós mas, como foi escrito no final do século 19, creio que deve ter mudado muito.
Não poderia deixar de pesquisar também a culinária egipcia e selecionei o Mahshy (charutinho) e o pudim com nozes, e o Om Ali que me pareceram ser menos arriscado. A carne assada no grill junto com uma almondega de carne moída é o Kebab we kofta acho que também não causará muita estranheza. Entre os sandwichs, o mais famoso deles é o Shawerma.



                                                                ISRAEL
Depois do Egito devo ir para a "terra santa", começando por Tel Aviv e, em seguida, para a capital Jerusalém e a Cisjordânia. Com um Pib Per Capita de 42mil dólares, bem maior do que o do Egito, um IDH "muito alto" e um índice de Gini, ou seja, a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos, também superior, inclusive em relação ao Brasil é um dos paises mais avançados do sudeste da Asia. 
A população de Israel é de 9 mi de habitantes, sua capital é Jerusalém mas seu centro fincanceiro é Tel Aviv. 
O país divide-se em 4 regiões geográficas: a planice costeira do mediterraneo; as cadeias de montanhas de Golan e montanhas da Galiléia a nordeste; no oriente, atravessado pelo Rio Jordão, fértil, no sul, semi-árido, encontramos o Mar Morto.
 Também na cultura os judeus projetaram-se internacionalmente. Na literatura tiveram um Prémio Nobel, Shmuel Yosef Agnon e outro bastante popular, Amos Oz, um pacifista.
Também a Filamônica Israelense é conhecida mundo afora. Infelizmente, devido a pandemia, não poderei assistir um concerto da Filarmônica. 
Na culinária os judeus incorporaram muito da cozinha árabe, como o falafel, o homus (que sei que não vou gostar!) e o cuscuz. Já, o doce mais tradicional é o sufganiaya.
NOTA: a viagem a Israel foi abortada porque suas fronteiras fecharam para qualquer estrangeiros e, caso abram, exigirão quarentena. 


                                                        FRANÇA
Seu tudo der certo, vou para a França e fico uma semana em Paris.

08/09/2021
Sao 3h da tarde e estou sentada no aeroporto Hercílio Luz aguardando o embarque para SP. Evito pensar nas horas que ainda levarei para chegar até a cidade do Cairo, meu destino final - 27h contando com as conexões.
Ayman, um rapaz árabe q fala português estará me aguardando para levar ao hotel e me ajudar a fazer o Visto de entrada no pais. Só não contava que ficaríamos, eu e um grupo de brasileiros, 2h no aeroporto do Cairo para fazer um novo teste de Covid, isto porque sao muito muito desorganizados.
Assim, o primeiro dia será só para descansar pois sigo no dia seguinte para um passeio de 4 dias pelo Nilo.

09/09/2021
Como precisava comprar um chip para o celular e estava tudo fechado no entorno do hotel, arrisquei andar um pouco mais. O transito é caótico e é quase impossível atravessar a rua,  há uma sinfonia de buzinas enlouquecedora. Não há sinalização e creio q é assim que organizam o transito: uma buzina longa ou 2 rápidas significam, p.ex. mudança de pista. Não usam sinalizar com a seta ou colocar o braço para fora, como fazíamos antigamente.
11/09/2021
Segui para Luxor para um passeio pelo Nilo no Blue Shadow, com um grupo: um casal de peruanos - ele medico - e 2 guatemaltecos, um deles também medico. Haviam muitos brasileiros no barco. Ate pouco tempo o Egito era um dos poucos destinos onde brasileiros podiam entrar só com certificado de vacina (podendo ser a Coronavac) e PCR negativo, a maioria dos países da Europa exigiam quarentena.



O guia era muito simpático, mas como todo egipcio quando vê uma ocidental já vai passando uma cantada. Não respeitava nem a Helena, a peruana que estava com o marido. São meio sem noção.
Fizemos várias paradas no caminho para Aswan, para visitar alguns templos. Fomos também no Vale dos Reis, onde estão as tumbas dos Faraós encravadas nas montanhas com longos corredores e belíssimos afrescos nas paredes.



Depois de Luxor seguimos para Aswan, nosso destino final. Visitando o Vale dos Reis e as tumbas dos faraós encravadas nas montanhas com seus corredores e belos afrescos.




O mais interessante até agora foi o passeio, parte de faluca (embarcação a vela típica do Egito) e parte de camelo, até um povoado núbio, com suas casas de tetos abobadados, pintadas de azul e seu povo de pele muito escura e olhos claros.






                                                                                                                                                                                                                                                                                                 A comida do barco era deliciosa, contrariando minha expectativa (normalmente, comida de navio só é um pouco melhor que comida de aviao) e tinha um piscina no convés com uma agua muito fria, contrastando o com o calor de 40o do sul do país.
Na ultima noite tivemos no convés uma noite árabe com muita comida e musica típica.


De volta ao Cairo fui primeiro conhecer as pirâmides imaginando que ficaria impressionada com suas imponências, só que não. Se pensarmos que tem mais de 3mil anos a.c., é fantástico. Mas por outro lado quantos não morreram e quanto não foi gasto, deixando o povo à mingua.
O que me fez pensar em nosso “mito” que cortou verbas de remedios contra o câncer mas gasta rios de dinheiro viajando para fazer campanha política. E que também tem uma estátua sua no lobby do seu palácio.




Viajando pelo sul percebi que quase todas as casas eram inacabada e o guia explicou-me que era para que os filhos quando casarem ficarem morando junto a eles, só então terminando a construçao.
No Cairo vi que a maioria dos prédios também eram inacabados, disseram-me que era também para nao pagarem impostos.
Tambem as ruas e calçadas sao inacabadas e há entulhos por todos os lados. 
As imagens abaixo, que parecem as de uma favela de uma grande metrópoles ou uma cidade bombardeada são, na verdade, do centro da cidade do Cairo, onde muitos predios sao construidos só com tijolos, sem concreto. 
Assistam "Osama" um filme de 2003 que passa-se no Afeganistão onde uma menina veste-se de homem para poder sustentar a família porque mulheres são proibidas de trabalhar, arrumando emprego em uma construção. Mesmo sendo um filme, lembro da angústia que foi ver como eram feitas as construções. 



Estava no cafe da manhã do hotel e, próxima a mim, sentou uma muçulmana. Fiquei aguardando para ver como faria para comer. 



Além do traje social elas tem um modelito para piscina. Eu não ia poder manter meu bronze.


Hoje fui visitar a Cidadela e mesquita de Alabastro, depois o Museu do Cairo, o velho, porque o novo ainda nao abriu visto que terá que ser com toda pompa e circunstância, como foi a transferência de parte do acervo do antigo museu o que hoje não poderia ser feita devido a pandemia.
O melhor foi um delicioso arroz doce que comi no Naguib Mahfouz Coffee, dentro do bazar de Khan el Khalili. N. Mahfouz foi um escritor de romances e roteiros para cinema, agraciado com um nobel de literatura em 1988. Procurei algum livro dele e nao encontrei nenhum on-line com tradução em português.
Na foto abaixo estou com minha guia, Mariam, uma jovem extremamente atenciosa e simpatica.





As fotos abaixo sao do bairro Coopta, de maiora católica. Visitamos uma sinagoga conhecida como Sinagoga El-Geniza ou Sinagoga dos Palestinos, foi construída em 1892 em um lugar onde, acredita-se, Moisés, ainda bebê, foi encontrado dentro de uma cesta pela filha do faraó.

 



Ainda em Aswan recebi a noticia do faleceimento do meu pai, já nos seus 99 anos e na volta para o Cairo começei a preparar minha volta ao Brasil. Precisava cancelar passagens e reservas de hotel na Europa, para onde pretendia seguir depois. E comprar a passagem de volta ao Brasil, alem de agendar o teste RT-PCR para entrar no país.
  
20/09/2021
Ultimo dia no Egito porque amanha embarco para o Brasil, faço conexao em Doha depois em SP e chego em Navegantes no dia seguinte, as 16:50.
Vim direto à Balneario Camboriu, onde mora a família e hoje, finalmente, volto para minha casa em Florianopolis.
A todos que me acompanhariam nesta viagem pelo norte da Africa SHUKRAM  (obrigada em árabe).