02 de dezembro de 2021
Faltava 15 dias para embarcar para Paris e, depois, para Israel quando recebi a notícia de uma nova variante do Covid-19 chegando à Europa e oriente médio, oriunda da Africa. Bem mais transmissível que as anteriores, poderia fazer com que impusessem a volta de medidas, como uso de máscaras nas ruas e o fechamento de restaurantes e museus.
Com passagem comprada para Tel Aviv para o dia 15 de dezembro, vejo na TV a notícia que Israel fechará as fronteiras ate dia 12/12. Como tenho passaporte europeu acredito que não terei problema na França já, em um país do oriente médio, corro o risco de exigirem quarentena ou mesmo impedirem a entrada.
Quando cheguei só 50% dos franceses usavam mascara na rua, é obrigatória somente em lugares fechados mas, necessário apresentar Certificado de Vacina em bares e restaurantes. Nada que incomodasse ou que já naõ estivesse acostumada. Olhava com inveja a elgancia das parisienses na rua e pensava que somente sendo parisiense para continuar elegante com estas indefectiveis máscara.
Apesar do patriotismo caipira que nos foi incutido durante a ditadura militar, que Bolsonaro tenta retornar, o brasileiro está mais viajado, mais culto. E sem cultura nao mudaremos o país e vamos ficar tendo que explicar “Como pode um sujeito deste na presidencia do Brasil?”
Os franceses estavam preocupados com a Ômicron e voltaram a exigir mascara na rua. Também concelaram os fogos no final do ano. Por isto passei o rèveillon no meu cabaré preferido em St Germain, o Au Trois Maillet. No Trois sao os fregueses que dão canja e nomes importantísssimos já passaram por lá. Ver foto abaixo.
Hoje, dia 1o de janeiro, esta tudo fechado e resolvi ir a Bois de Boulogne conhecer a Fundação Louis Vuitton para conhecer a obra de Frank Gehry, de quem sou fã.
Foi muito dificil enquadrar a foto pois é um prédio totalmente fora do esquadro. A ultima foto, eu peguei do Google (provavelmente feita com um drone) é para que tenham uma ideia do conjunto.

A verdade é com fumaça na cara ou não meu magret de canard estava uma delicia.

!!
Nas fotos abaixo uma fila em frente a loja de falafel, o que ocorria todos os domingos e apreciava da janela do B&B onde morei, que aparece na foto à direita.
. Apesar do frio e do pé doendo ja estava começando a me acostumar com a vida em Paris. Aqui é bom com frio…com gente fumando do teu lado…mancando. É bom de qquer jeito. 18 de dezembro de 2021
HONFLEUR - Honfleur é uma cidade de pouco mais de 6mil habitantes na costa da Normandia com uma marina bem no centro e uma arquitetura normanda do séc. XVI très charmant.
Pretendia ir também as praias com as falésias, as praias onde teve o desembarque das forças aliadas na 2a guerra, no famoso Dia D e o Monte St Michel e esperava encontrar uma agencia que fizesse passeios para estes lugares. Infelizmente não havia e acabei não indo. O ideal seria alugar um carro mas não me animei a dirigir.STRASBOURG - Em 22 de dezembro fui para Strasbourg, na regiao da Alsácia, quase fronteira com a Alemanha. A cidade de perto de 280mil habitantes é também uma das sedes do Parlamento Europeu, as outras são Bruxelas e Luxembourg. Ao embarcar em Paris, carregando uma mala caí na escada que levava ao andar superior. No dia seguinte meu pé parecia um panetone, de tão inchado. Finalmente acertava na escolha do hotel: cama maravilhosa, quarto quentinho, a ducha não molha todo o banheiro e um café da manhã superbe. Deixo registrado o endereço do Hotel Ibis Strasbourg Centre Gare, que fica na rue du Marie Kuss. Fazia - 6 graus e paro em todas as barraquinhas de Natal para tomar um Vin Chaud para esquentar, creio que vou voltar alcoólatra. Gostaria que nevasse mas parece que vai chover dia 24 e 25. Aquela brincadeira de que compraria uma baguete, um foie gras e uma garrafa de vinho e assistiria a missa do galo na tv só não aconteceu porque descobri que haveria jantar de Natal na Maison Kammerzell. A Maison Kammerzell, o predio mais icônico da cidade, com uma fachada incrível, é hoje um restaurante e fica ao lado da catedral de Strasbourg, tem uma das fachadas mais bonita que já conheci. Possui no interior um relógio astronômico provocando fora uma enorme fila de turistas para conhece-lo pois devido a pandemina as visitas são limitadas.
Dia 24 fui comemorar o Natal na Maison Karmenell e comi um fillè com foie gras divine.
Ontem, quando entrei no Museu Œuvre Notre Dame, me pediram o Certificado de Vacina - como sempre acontece - mas, pela primeira vez não aceitaram, a desculpa foi porque nao era europeu. Minha primeira reação: quanta arrogância destes franceses!
Mas, já vinha percebendo, desde minha chegada na França, que todos tinham dificuldade em fazer a leitura do QRCod. Em Paris bastava mostrar no documento as 3 vacinas - apontando para a Pfizer - para que respondessem “ce bien”.
Na Normandia comecei a sentir que vacilavam mas, acabava também em “ce bien”. E hoje quando entrei num pequeno bistro e perguntei se tinha vinho quente, um vin chaud, o dono me pediu o certificado e como nao conseguiu ler o QRCod, tive que dar meia volta.
Confesso que comecei a ficar intrigada com o que estava acontecendo e, chegando ao hotel passei a falar com todas as amigas que viajaram ou pretendem viajar para a Europa.
Conclusão: como o governo foi obrigado a aceitar a portaria exigindo Certificado de Vacina para entrar no país, resolveu sabotar o sistema ConectSus e desde o dia, 10 de dezembro o certificado está fora do ar. No QRCod só aparece a criptografia.
O que só vem a mostrar, mais uma vez, o quanto este governo é insano, desequilibrado e perverso. Amanhã embarco num trem para Paris e tenho que apresentar o Certificado.

